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Câncer de mama e o outubro Rosa – não faça parte dessa triste estatística.

Por Dr. Marcio Rogério Renzo


O câncer de mama é o tipo que mais vitimiza as mulheres, por isso o mês de outubro é dedicado à campanha para divulgar informações sobre a prevenção e cuidados. Segundo o INCA – Instituto Nacional de Câncer – esta forma de câncer afetou só em 2020 cerca de 66.280 mulheres, o que corresponde a 29,7 % de todas as neoplasias. Além de representar um valor significativo no total de casos, houve um aumento em relação ao ano de 2018 que havia registrado 17.572 óbitos para 18.068 óbitos em 2019.

É importante salientar que o câncer de mama não afeta apenas mulheres, cerca de 1% do total de casos é masculino. A cada 100 mulheres diagnosticadas com este tipo de neoplasia 1 homem é afetado. Se acompanharmos os períodos de 2010 – 2014 e 2015 – 2019 houve um aumento de 0,02%, segundo o INCA.

A fisioterapia é a área da saúde que acompanha o paciente desde o início do tratamento até a alta definitiva. Agimos nas três fases da patologia, ou seja: na prevenção, no pré-cirúrgico e no pós-cirúrgico.

Na fase preventiva, o foco é na orientação, principalmente sobre os hábitos saudáveis, que variam desde a orientação sobre os benefícios de uma dieta saudável, a prática de exercícios físicos, orientação quanto aos fatores estressores de nossa vida diária, diminuição e interrupção do uso do tabaco, a redução ou abstenção de uso de bebidas alcoólicas. Uma das orientações de maior importância sem dúvida é o desenvolvimento do hábito do autoexame mamário, não com o intuito de diagnóstico, mas sim como autoconhecimento do corpo e, em caso de alterações, procurar o atendimento ambulatorial mais próximo com a finalidade de buscar um diagnóstico através de profissionais capacitados.

O Ministério da Saúde orienta para que a faixa etária a ser submetida ao exame de rastreamento com mamografia seja entre 50 e 69 anos, com intervalo de dois anos, sendo contra indicada abaixo dessa faixa etária. Os riscos oferecidos pela mamografia só superam os benefícios nessa faixa. Mulheres com menos de 50 anos que se submetem ao exame podem apresentar as seguintes alterações: grande número de falso-negativos e de falsos-positivos devido às características anatômicas dessa faixa etária; identificação de cânceres indolentes (que não ameaçariam a vida da mulher e acaba sendo tratado) o que coloca esta mulher na condição de desenvolver danos relacionados e aos riscos do tratamento radioativo e/ou quimioterápico. Além disso há a exposição desnecessária à radiação.

É importante que todos esses apontamentos sejam discutidos entre as pacientes e seus médicos, a fim de que a paciente possa exercer seu direito à autonomia sobre o tratamento e ajude seu médico na tomada de decisões.

O tratamento cirúrgico para o câncer de mama depende do seu grau de gravidade, podendo variar da extração de um nódulo ou até mesmo da retirada total da mama. O procedimento cirúrgico pode afetar toda a cadeia de linfonodos próxima dessa região, desta forma, o paciente poderá vir a apresentar linfedemas, desconfortos respiratórios, perda ou diminuição da capacidade funcional do membro superior do mesmo lado da mama retirada. Além dos fatores cirúrgicos, o tratamento coadjuvante, como a radioterapia e a quimioterapia, pode comprometer ainda mais esse processo.

A fisioterapia participa do processo cirúrgico preparando a região a ser submetida à cirurgia, promovendo o ganho de massa muscular, expansão torácica e fortalecimento do membro superior do mesmo lado da mama a ser retirada, com a finalidade de minimizar as perdas funcionais. Outra ação muito importante é que com o processo cirúrgico na região, o paciente pode apresentar redução da capacidade respiratória, causando desconforto ao paciente, desta forma, a fisioterapia ajuda no aumento dessa capacidade, minimizando as perdas e as possíveis complicações decorrentes.

O pós-cirúrgico de mastectomia (processo de retirado da mama) podem provocar o surgimento de linfedema na região do membro superior, redução ou perda da mobilidade, dessensibilização da área, perda de força muscular, redução da capacidade ventilatória. As técnicas fisioterápicas vão facilitar a recuperação além de buscar restabelecer as funções normais dos membros afetados e também ajuda na recuperação psicológica desse paciente.

Desta forma, o fisioterapeuta lançará mãos de diversos tipos de exercícios de alongamentos de membros superiores e região torácica, pompages, exercícios passivos, ativos e resistidos para ganho de força muscular de membros superiores, exercícios para aumento da capacidade ventilatória, mobilização cicatricial com a finalidade de redução de aderências das fáscias e melhora da formação cicatricial, além de outras terapias como laser, ultrassom, etc.

O autoconhecimento do corpo pela mulher é a principal ferramenta para a prevenção desse tipo de câncer. Ao perceber qualquer sinal, procure um profissional de saúde. Quanto antes iniciar o tratamento, melhores serão os resultados e menos agressiva será a terapia.

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