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O valor de um “Bom dia” versus o custo de uma saúde mental.

Por Dr. Marcio Rogério Renzo


O suicídio é a segunda causa de morte entre os adultos jovens e a depressão é a principal causa de incapacidade no mundo, sendo que as mulheres são as mais afetadas. Mas o que temos feito para melhorar essa situação?

São diversos os meios de comunicação noticiando a cada dia, mais e mais dados sobre este assunto. Existem políticas públicas implementadas para ajudar as vítimas desses males, porém, o que você tem feito para melhorar isso? Sim, você? Quantas vezes você ligou para uma pessoa, que você não encontra todos os dias, e perguntou como ela estava ou simplesmente para dizer um “bom dia”?

Leia este breve relato de “I”, uma seguidora de minha página no Facebook: “(...) Ia envenenar eu e minha filha, mas li suas postagens e pensei que eu realmente estava a ponto de fazer uma grande besteira, ele ia ficar numa boa e eu morta. Resolvi erguer minha cabeça e seguir. Hoje nesse pouco tempo que mando mensagem a você e você responde, não me sinto uma pessoa sem valor. Obrigada por isso. Agora eu sei que ainda tem gente que se importa comigo.(...)”.

Este relato nos chama a atenção de como se pode ter o destino de sua vida mudado por um “bom dia”. Como este simples ato pode interferir no destino. Como a comunicação, que por sinal hoje é tão intensa e de formas tão diversas, pode conduzir o rumo de nossas vidas.

Manter a saúde mental em equilíbrio tem sido um grande desafio e este desequilíbrio tem custado muito caro, seja pelo lado financeiro ao Estado que no último ano despejou cerca de 150 bilhões de reais, segundo o portal da transparência, em despesas com saúde, ou seja pelo lado humanitário, onde foram vitimadas por suicídio no Brasil cerca de 13 mil pessoas e, em pesquisa recente do Instituto Ipsos, relatou que 53% dos brasileiros tiveram sua saúde mental piorada no último ano.

Neste triste ranking de saúde mental, infelizmente o Brasil lidera tendo as maiores porcentagens de casos de ansiedade (63%) e depressão (59%), desta forma, o sinal de alerta deve permanecer aceso por um bom tempo, pois como se trata de um comportamento por vezes silencioso, aliado ao fato dos efeitos ainda desconhecidos provocado pelo isolamento social imposto pela pandemia, que certamente nos mostrarão resultados pelos próximos anos.

Desde a reforma psiquiátrica iniciada na década de 70 e com a consolidação da rede de atenção psicossocial, implementada através de uma portaria do governo federal em 2011 e republicada em 2013, visa o atendimento às pessoas com experiências de sofrimento psíquico, porém com uma visão de cidadão, proporcionando ao paciente orientações também no campo político e jurídico, desta forma atendendo as necessidades destes pacientes de maneira global. Cabe salientar que essas políticas públicas sofreram alguns golpes que acabam por retroagir no tempo os ganhos até então conseguidos às duras penas pelos profissionais envolvidos. Outro ponto importante é que as pessoas com dependência química de drogas estão inseridas neste contexto e, que tal número só tende a aumentar.

Isso nos faz retomar a questão inicial, o valor de um bom dia que não se resume à uma simples frase ou um ato de etiqueta social, mas também com cuidados, empatia pelo próximo e ao final, um cuidado social, uma vez que quando auxiliamos alguém, causamos uma sensação de bem-estar à outra pessoa, estamos ao final cuidando do nosso próprio meio social.

Pense nisso e vamos fazer de nosso mundo um lugar melhor para viver. Dê mais “bom dia” e seja menos alheio à nossa sociedade. Este simples ato pode salvar uma vida!



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