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SAÚDE MENTAL NO PÓS-PANDEMIA

Por Dr. Marcio Rogério Renzo



Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS):“A saúde mental é caracterizada por um estado de bem-estar no qual uma pessoa é capaz de apreciar a vida, trabalhar e contribuir para o meio no qual vive, ao mesmo tempo em que administra suas próprias emoções”.


Vários são as situações e fatores que podem nos levar a ter nossa saúde mental debilitada e por consequência debilitando nossa saúde física.


A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) estima que cerca de 300 milhões de pessoas sofrem de depressão no mundo e cerca de 800 mil pessoas morrem de suicídio todo ano, sendo essa a segunda causa de morte na faixa etária dos 15 a 29 anos. A depressão também é a principal causa de incapacidade em todo o mundo. Tomando-se por base que a depressão é apenas um dos transtornos mentais, tais números já são bastante expressivos. Há outros transtornos que são bastante expressivos no Brasil, como: transtornos ansiosos (cerca de 9,3% da população) que incluem a fobia, transtornos obsessivos-compulsivos, transtorno bipolar, estresse pós-traumático, esquizofrenia, alcoolismo e ataques de pânicos.


Em estudo conduzido pela Universidade Federal de Juiz de Fora foi demonstrado dados importantíssimos relacionados aos casos de depressão e transtorno de ansiedade generalizado (TAG), cerca de 92,2% da população analisada apresentava sintomas depressivos, 51% de sintomas de ansiedade e 52% de estresse pós-traumático, sendo esses números similares aos encontrados no resto do país. Desta forma, podemos esperar uma onda de procura ainda maior por cuidados em saúde mental, uma vez que estamos apenas iniciando essas constatações.


É importante ressaltar que a população adolescente e adulto jovens foram afetados grandemente, numa fase da vida primordial e formadora, podendo refletir no futuro dessas pessoas através de patologias psicológicas, fisiológicas, que refletirá também na saúde econômica do país, pois demandará despesas adicionais para tratamento, além de impactar diretamente uma parcela da população produtiva, reduzindo as receitas públicas, sendo um caso de saúde pública.


Como a fisioterapia pode ajudar?


A medicação utilizada no tratamento de transtornos mentais causa diversos efeitos, muitos nocivos, às vezes, à parte física, causando limitações, além das já causadas pelos transtornos. A fisioterapia age para quebrar esse ciclo. Através de técnicas como a cinesioterapia, eletrofototermoterapia busca avaliar e melhorar nesses pacientes o desenvolvimento e comportamento da marcha, o equilíbrio, a disposição postural, a consciência corporal, além de trabalhar também a sociabilização desses pacientes, através do desenvolvimento de atividades em grupos, sempre procurando estabelecer a conduta terapêutica por cooperação e comunicação do próprio paciente e muitas vezes da família do doente.


Os pacientes portadores de algum tipo de sofrimento psíquico ao serem submetidos ao tratamento fisioterápico demonstram, após a realização da sessão, melhora inclusive na saúde mental.


Desta forma, a presença do fisioterapeuta na equipe de saúde mental é extremamente importante, seja no ambiente hospitalar, no ambulatorial, nos hospitais-dia, nos centros de convivência e nos centros de atenção psicossociais (CAPS), como parte somatória do processo de terapêutica psiquiátrica, observando as deficiências e limitações provocadas pelos sintomas de sua doença e, de maneira multidisciplinar, delinear condutas a fim de desenvolverem o potencial de recuperação e inclusão social, mantendo sua capacidade funcional e independência para suas atividades de vida diária.


“A Fisioterapia atua na promoção da melhora da autoimagem e da autoestima.”


Com a melhora da autopercepção, o paciente consegue redimensionar suas atitudes, reconhecer necessidades, desta forma, melhorar a sua independência e sua qualidade de vida. Outro ganho expressivo, observa-se no desenvolvimento do trabalho corporal que além de trabalhar toda a parte fisiológica, melhorando capacidade respiratória, alongamentos, ganho de amplitude de movimentos, etc.. é reconhecido que a atividade física também suscita alterações psicológicas, influenciando assim no humor, na autoestima, no comportamento em geral, pois a expressividade corporal antes diminuída como vimos, que é uma marca dos pacientes com transtornos mentais, agora com este ganho são ampliadas, facilitando as interações sociais.


A prevenção é o melhor dos remédios!!


A prevenção de fatores estressores nem sempre podem ser evitados por estarem fora de nosso domínio, porém algumas atitudes podem nos ajudar a manter uma saúde mental em dia.


Atividade física: a prática de exercícios físicos ajuda na produção de hormônios que ajuda na redução do estresse e da ansiedade.


Alimentação balanceada: invista em uma alimentação saudável. Uma má alimentação pode nos deixar indispostos e prejudicar nossa saúde.


Relacionamentos tóxicos: afaste-se de relacionamento tóxicos, agressões psicológicas e ate mesmo físicas, são desencadeadores de transtornos como ansiedade e depressão.


Desacelere: tudo na vida tem seu tempo. Família, parceiro, trabalho. Então, abra um espaço na sua agenda para você, pois caso contrário sua vida se tornará um caos, que desencadeará transtornos como ansiedade e depressão.


Abra seu coração: aprenda a falar o que estiver sentindo. Admitir que uma situação não está bem, não é sinal de fraqueza. Falar ajuda não só a você entender melhor a sua situação, mas também a se sentir menos sozinho e, desta forma resolver seus próprios conflitos.


Evite o consumo de álcool e drogas: o consumo de álcool e drogas prejudica o funcionamento do seu corpo. O consumo mais esporádico pode levar a episódios de ansiedade e depressão mais leves. Porém o uso contínuo, prejudica a produção de substâncias essenciais à função cerebral.


Não esqueça, ao sentir que algo não está bem, procure um profissional habilitado!!!

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