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Os efeitos psicológicos das Canetas Emagrecedoras. Você sabe quais são?

A coqueluche do momento são as canetas emagrecedoras. Muito se tem falado sobre o tratamento, quais os benefícios ou o que pode acontecer em alguns casos específicos ligados à química do produto. Mas e sobre os efeitos psicológicos que a utilização de tais produtos tem causados?

Estudos com tirzepatida, princípio ativo de uma das canetas, mostram grande eficácia em perda de peso e controle glicêmico, porém com efeitos psicológicos adversos importantes, como alteração de humor, imagem corporal e em relação com a comida, cuja compreensão exige articular dados biomédicos, psicanálise e debate público.


Visão clínica e efeitos psíquicos relatados

A tirzepatida atua em receptores GLP‑1 e GIP no intestino, pâncreas e cérebro, tais receptores participam do processo cerebral de recompensa e saciedade. Essas intervenções podem alterar a motivação, o prazer e regulação emocional.

Pessoas que utilizaram a medicação descrevem algumas alterações importantes, como: humor deprimido, ansiedade, fadiga, “apagamento” do desejo de comer, estresse pelo manejo de efeitos gastrointestinais, restrição calórica, custos elevados e medo de complicações. Todos esses sintomas relatados podem colaborar ou mesmo iniciar quadros depressivos e ansiosos.


Como a psicanálise vê os efeitos do uso da medicação

Do ponto de vista psicanalítico, a tirzepatida interfere diretamente na diminuição pulsional ligada à oralidade, ao prazer de comer e às formas de regulação da angústia pelo alimento. Tal interferência criam “uma confusão” nos modos de satisfação que a pessoa estruturou al longo de toda sua vida.

A redução drástica do “food noise” e das compulsões alimentares, que muitos pacientes relataram, muitas vezes como libertadora, também pode produzir vazio, uma queda de investimento libidinal e a sensação de estranhamento em relação ao próprio corpo, que pode levar esse paciente a reativar conflitos com o ideal de eu, com o superego moral magro e trazer fantasias de controle onipotente sobre o corpo.


Riscos, transtornos psíquicos e debate na mídia, como nos afeta?

Diversos estudos têm descrito o risco de agravamento ou a surgimento de quadros de depressão, de ansiedade, de transtornos alimentares e estresse intenso em pacientes. É importante salientar que, apesar dos testes não terem mostrado uma alta incidência do quadro de depressão maior, que indicasse a necessidade de uma avaliação caso a caso.

Quando se observa a literatura relacionada aos transtornos alimentares percebemos que o uso do GLP‑1 traz alívio relacionado às compulsões, porém pode reforçar padrões restritivos, obsessão com peso e distorção de imagem, desta forma o acompanhamento psicológico é essencial.

A ampla divulgação de matérias jornalísticas e investigações sobre as chamadas “canetas milagrosas” tem estimulado automedicação, o uso do mercado ilegal para aquisição e, infelizmente, eventos mais graves (inclusive mortes em apuração) e possíveis impactos diretos na saúde mental das pessoas que utilizam este medicamento.

Observa—se também o grande número de pessoas que tem utilizado sem indicação formal. ou por crianças e adolescentes pressionados pelo ideal de magreza ou por irresponsabilidade dos tutores legais.

Em resumo, o uso de canetas emagrecedoras exige uma avaliação rigorosa para riscos psíquicos, acompanhamento psicoterápico (incluindo abordagens psicanalíticas) e uma indicação que vá muito além de um número na balança.


As canetas emagrecedoras têm efeitos colaterais que podem potencializar transtornos psíquicos.

Ao observar os efeitos colaterais da tirzepatida encontra-se predominantemente efeitos gastrointestinais, mas, como outros fármacos que atuam em cérebro e no metabolismo, podemos encontrar queixas de fadiga, náuseas persistentes, tontura, alterações do apetite, insônia e oscilação de humor, capazes de prejudicar o bem‑estar psicológico das pessoas e agravar ainda mais em casos de condições pré-existentes.

Esses sintomas físicos intensos e/ou prolongados podem causar aumento no estresse, piorar o sono e podem desencadear quadros de ansiedade secundários. Também encontramos um aumento na irritabilidade e sensação de incapacidade, principalmente em pessoas com vulnerabilidade pré-existente.

A interferência dessa medicação no equilíbrio dos circuitos de recompensa e saciedade, semelhante aos de outros psicofármacos, podem alterar prazer, a motivação e regulação emocional, criando condições para piora do estado de humor e ruminações dessas pessoas.


Agravamento de transtornos preexistentes

Em indivíduos que apresentem quadros de depressão, TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada), transtornos alimentares ou uso de drogas ilegais, essa combinação de perda de apetite, emagrecimento rápido, insônia e estresse pelo tratamento podem agravar ainda mais os sintomas existentes em cada uma das situações. Podem também aumentar risco de recaída ou favorecer descompensações, especialmente se o uso for inadequado ou sem acompanhamento profissional.


O uso das canetas emagrecedoras por paciente de Transtorno de Personalidade Borderline

O uso da substância presente nas canetas emagrecedoras (tirzepatida), embora não seja um psicofármaco, este produz efeitos físicos e emocionais que podem interagir de forma muito delicada com a dinâmica psíquica apresentada pelo paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), exigindo uma grande cautela clínica.


Efeitos colaterais e vulnerabilidade do borderline (TPB)

Os efeitos colaterais acima elencados podem agravar a instabilidade afetiva, a impulsividade e o sentimento crônico de vazio característicos do TPB, ampliando assim o risco de autolesão, uso abusivo de substâncias e desorganização do seu cotidiano. Em pessoas borderline, o corpo é frequentemente vitimado de um palco de atuação do sofrimento psíquico, de modo que as mudanças corporais abruptas produzidas pelo uso das canetas emagrecedoras podem intensificar essas crises de identidade, o medo de abandono e os comportamentos autodestrutivos presentes nesse tipo de transtorno.


Critérios e monitorização em pacientes de TPB

A prescrição para pacientes com TPB deve seguir o mesmo rigor de indicação de qualquer farmacoterapia, sendo muito bem descritas e explicadas ao paciente. A indicação deve ser clara (por exemplo, diabetes tipo 2 ou obesidade com critérios definidos), ser submetido à avaliação psiquiátrica prévia e acompanhamento dos sintomas presentes no transtorno, principalmente relacionado à alteração de humor, impulsividade e ideação suicida.

Como o tratamento de principal do TPB é psicoterápico, com uso de medicamentos apenas para sintomas associados, qualquer fármaco que altere peso, sono ou nível de energia precisa ser introduzido com planejamento interdisciplinar, comunicação entre endocrinologista e psiquiatra e orientação detalhada ao paciente e à família.


Em resumo, a utilização das canetas emagrecedoras ao paciente de TPB não é contraindicado de forma absoluta, mas seus efeitos colaterais podem potencializar sintomas centrais do transtorno, desta forma, é indispensável uma prescrição prudente, vigilância estreita e suporte psicoterápico contínuo para o êxito do tratamento.

Busque sempre ajuda profissional, em caso de dúvidas.

 
 
 

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